A violência, os afetos, a sodororidade em Noche de fuego, de Tatiana Huezo
Palavras-chave:
Noche de fuego, feminicídio, patriarcado, sodororidade, violênciaResumo
O presente trabalho trata de uma leitura, dentre as tantas possíveis, da produção cinematográfica Noche de fuego (2021), de Tatiana Huezo, produção mexicana, com o intuito de refletir sobre a violência extrema a qual as meninas e as mulheres personagens estão submetidas por uma série de questões, a saber: a inanição do Estado-nação que não combate o crime organizado que empreende sequestros, estupros, assassinatos contra essas mulheres; a corrupção e o envolvimento de policiais com o narcotráfico; a desproteção e o abandono absolutos em que vivem num pequeno vilarejo no interior do México. A proposta, então, é pensar dois aspectos importantes acerca dos engendramentos da violência contínua contra esses corpos. Há, por um lado, o modo como as mulheres do povoado tentam, ainda que com parcos recursos, num gesto de irmandade entre elas, preservar a vida das meninas e das jovens. Por outro lado, analisaremos outra face da violência: a pior delas, a que está na perspectiva da violência objetiva e sistêmica que trazem, muitas vezes, o apagamento, a inércia, das mulheres personagens em questão. Para pensar a produção fílmica, utilizar-se-ão as proposições teórico-críticas de Judith Butler, Vilma Piedade, Julieta Paredes, Slavoj Žižek, entre outros.
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Referências
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